Trajetórias em processo 3

De 15 Julho 2015 a 22 Agosto 2015

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Trajetórias em Processo 3

| Anton Steenbock, Andrei Loginov, Daniel Albuquerque,
Daniela Mattos, Fyodor Pavlov-Andreevich, Guilherme Dable, Lucas Sargentelli, Marina Weffort, Romy Pocztaruck e Thomas Jefferson.

  
Trajetórias em Processo é uma proposta realizada desde 2008 pela galeria Anita Schwartz. Ela reúne artistas cuja produção encontra-se em um momento decisivo, marcado pela consolidação da maturidade poética. Outro aspecto presente em todas as edições é a atenção à pluralidade de linguagens, privilegiando um olhar aberto sobre a arte contemporânea, afortunadamente irredutível a simplificações. Isso leva-nos, inclusive, a refletir o quanto, nesse contexto, uma certa dinâmica de heterogeneidade e hibridismo permite, inclusive, que práticas mais atreladas a uma "historicidade" da arte (como, por exemplo, a pintura e a escultura), para além da assimilação de questões vindas de outros meios, se vejam dispostas a rearticular seus próprios termos. Se aqui recorremos brevemente a esses exemplos, que poderiam ser estendidos a várias outras situações, é justamente por conta deles enfatizarem o outro sentido de processo a nos interessar; se inicialmente ele aponta para a investida pessoal de cada artista sobre suas questões específicas, a palavra encaixa-se igualmente em um entendimento da arte contemporânea como uma problematização contínua de seus limites - ou melhor da aparente ausência deles - e, concomitantemente, da compreensão de que um campo - a "arte" - parece não mais se conter ou resolver-se mediante a  determinação de uma definição (pouco importa se única e totalizante ou aberta e dispersa, pois ambas parecem ainda se mostrarem reféns da ideia da arte entendida como linguagem). 

Os artistas convidados a participarem da edição de 2015, cada um por um viés próprio, apontam-nos para um feixe - dos inúmeros possíveis - a atravessar a condição atual da arte.  Com isso pode-se explorar desde o paradoxo de uma tradição do Readymade (passando, ademais por outro paradoxo - o dele ver-se exposto a uma irônica paráfrase de artesania), à obsedante inquietação provocada pelo poder conferido às imagens ou, igualmente desafiador, a possibilidade de a arte - independente ou decididamente crítica ao seu sistema assentado - tensionar sua lógica produtiva (que pode abarcar o debate em torno de sua institucionalização ou uma estrutura de trabalho a extrapolar a convencional rotina do ateliê). Outras questões-chave, como a investigação do caráter metalinguístico ainda recorrente a significativa parcela da arte hoje e a indagação sobrea construção de identidades e suas consequências políticas, culturais e sociais não poderiam ser desconsideradas. No mesmo tom, sempre afigurou-se-nos relevante prosseguir atentos também àquelas possibilidades de linguagem acima mencionadas, cônscios de suas novas configurações. Assim, se jamais pretendemos um panorama exaustivo dos desafios vividos pela arte agora, enfatizamos a exposição como a proposição de alguns eixos por nós tidos como dos mais relevantes.  

Guilherme Bueno

 

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